Viu que ela tinha pulsos fortes,
Mas não aguentava mais aquelas cordas!
Seu corpo já estava pesado demais,
E a qualquer momento não resistiria mais o que passava,
Sem saber o que fazer ela adormeceu!
Na manhã seguinte, não muito acordada, ela sentiu algo estranho, pensou que estivesse nas nuvens, ou voando pelos ares em uma corrente de ar suave, onde o cheiro que sentia eram de belas rosas formosas, enfim abriu os olhos e não acreditou no que via e sentia, não estava mais pendurada naquela que seria o seu fim, mas seus pulsos continuavam amarrados para cima, mas desta vez estava em uma cama, embora soubesse que permaneceria presa e aquelas condições que estava era mais um milagre em sua vida, sentiu-se aliviada e só em seus devaneios...
Não mais que alguns momentos depois do sol bater-lhe de frente ao rosto, chega o pequeno ladrão de frutas. Ele escondera a bela moça em um aposento secreto do Castelo, com ajuda de uma menina, que tinha lá seus onze anos, era uma travessa e filha de uma cozinheira das majestades.
Ao lado da bola de cristal estava um saquinho vermelho, costurado a mão, com um pó que reluzia com a luz, o menino por sua vez, ao ver a bela moça dentro da bola de cristal, pegou um pouco do pó e disse algumas palavras que escutou uns dias atrás espiando as moças de preto no meio do bosque e pensou em aliviar sua dor, e naquele momento descobriu que o pó era mágico.
Entrou com pressa no quarto e ao ver que a moça havia percebido sua presença ali, foi logo pedindo-lhe desculpas pelo que se passava, mas que sabia, se ela estava naquelas condições por bons motivos não seriam. Ela envergonhada, o agradeceu por tê-la salvo, pois achava que morreria se continuasse pendurada como antes, e que no momento certo revelaria o motivo de sua prisão dentro daquela bola de cristal.
O menino deixou a bola de cristal em um canto do quarto, falou para ela que ficasse calma e a noite daria um jeito de sua amiguinha colocá-lo para dentro do Castelo, assim poderiam conversar mais, e até a noite decidiria o que poderia ser feito. A menina o esperava na porta do quarto e quando saiu o avisou que os guardas estavam atrás da bola de cristal que havia sumido a noite, para que tomasse cuidado ao voltar durante a noite e que lhe esperava logo que soasse as 22 badaladas no Castelo.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
A rainha
Do interior desse castelo opaco emerge este novo onde reino em silêncio e vertigem: o quarto de cristal e memórias do infinito em que habito só e cinza. Não faz muito vi pela janela central a figura de um homem que se desdesenhava no tempo. Um soldado de nossa armada, certamente, outro infeliz a quem as lanças não demoram levar... Desde um ontem, tramado pelas linhas do invisível em meu destino, ela vem e me visita noite após noite para em seguida apagar-se no ar, deixando em meu espírito essa saudade arranhada.
Mil luas gêmeas rezei inteira e implorei o perdão dessa louca andarilha, que insiste em me perseguir nesse mundo e em outros em que surjo nua e sem explicações. Não compreendo o quando nem o porquê de meu acesso a esses domínios tão distantes do meu, mas começo a me acostumar. Um quarto minguante ou mesmo os solstícios me carregam fundo para uma dessas escusas dimensões que abrigam o nosso encontro.
Já quis com força sair daqui e dançar novamente, descalça sobre a areia clara, e com a alma leve atada à minha ancestralidade legítima. Uma viagem mais, implorei insana ao ar noites a fio. Por mim e por ela, cantei alto e sussurei e escrevi nas paredes e no meu próprio corpo as palavras que não me saem do sangue
Ó Céu da noite crua
As luas infinitas em mágica
Somos todas mulheres de luz
Com teu manto abençoe nossas almas
E nossos corações sofridos
Aceite nossos cantos
Toda a fé e esperança que depositamos
Somos todas suas ó Luar
Vazio e desistência. A mim que já chamaram Esperança hoje alcunham Tristeza. Decidi que não me abala a ingorância dos comuns, especialmente porque descobri em mim portas insuspeitadas, que inauguram liberdades acolhedoras e justas a quem tem olhos humanos cansados desse mundo.
Volto à janela com a insistência descuidada do desalento e, novamente, lá está ele. Parece que guarda o desajuste dos meus passos. Mal sabe, pobre diabo, dos poderes que tem. Bastaria intuir a minha proximidade e nele estaria eu, disposta ao sorriso, instalada no campo aberto que é o pensamento desse homem simples e transparente como as paredes que me cercam.
Assim tenho sido desde que aprendi essa estranha maneira de fugir. O solstício, que marcou a chegada da estação do trigo novo, lançou-me exatamente onde juro que a vi pela última vez: naquele sonho branco.
Observação: Imagem acima, ilustração feita especialmente para o RPG, por Jouber D. Cunha.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
As torres de areia

Próximo ao castelo de Messiter havia uma praia maldita, por conta de seus inúmeros naufrágios. Pela costa se percebia restos de barcos que não sobreviveram às borrascas e bancos de areia. Por ali, o fim do mundo era apenas a ante-sala do inferno.
Em um dia ventoso como outro qualquer, um pescador solitário passeava pela praia deserta, procurando restos de embarcações piratas que o mar trazia à praia. Já achara certa vez uma moeda de ouro, um brinco de pérola e um estranho espelho que mostrava imagens distorcidas e sons guturais, que não deviam ser daquele mundo.
No meio do caminho ensolarado achou uma pequena bola de cristal com um diminuto boneco em forma de gente dentro, indo e vindo sem sair do lugar, aprisionado na água prateada em seu interior.
Uma mulher alta e bela, toda vestida de branco, vindo do nada, apareceu em sua direção, e ele custou a perceber, vidrado que estava naquela pequena bola de cristal.
Num breve instante o mar silenciou. O vento sumiu. O tempo parou. Tudo estava mudado. Um vácuo sobrenatural tomou conta daquela praia.
Lá adiante, o pescador finalmente percebeu a aproximação da mulher toda vestida de branco, bem alta, vindo em sua direção. Ele continuou indo e a mulher vindo, sem a distância se alterar. Quando ele quis voltar, tropeçou nas pernas. O vilarejo em que morava manteve-se distante. E bem diante de seus pés, um pequeno castelo de areia, réplica idêntica do castelo de Messiter, em escala bem menor, talvez 1:1000. E ali, dentro de uma das torres, uma pequena peça de xadrez. A rainha!
Uma tristeza sem motivo tomou conta de seu ser, enquanto a mulher de branco continuava tranqüilamente em seu encalço, caminhando sem sair do lugar. Ele, o aldeão que de vez em quando virava pescador, pensou ser algo sobrenatural, ou um pesadelo muito real, mas o eclipse do sol mudou sua opinião.
Ao olhar para o céu, descobriu algo como um olho escuro e gigante de um menino brincando com sua bola de cristal, correndo por uma praia deserta, feliz por ter encontrado aquele presente caído do céu, enquanto uma mulher de branco, caminhava em sua direção... Gelou de medo ao ver que próxima a ponta elevadiça do castelo de areia tinha um boneco muito parecido com seus trajes. E nos arredores daquela pequena construção de areia e sonho, outras figuras diminutas, entre luzes e sombras estavam plantadas.
Coincidentemente, no mesmo instante, um menino, pequeno ladrão de frutas, fugindo dos guardas do rei, caiu num poço profundo, atrás do castelo, e quando voltou a si, estava num subterrâneo labirinto. Depois de horas e horas - e naquele local o tempo custava muito a passar -, encontrou um túnel que levava a um portão. Estava entreaberto, e ali, mil e um apetrechos de alquimista numa câmara secreta. Sobre a mesa, uma pequena bola de cristal. E quando olhou em seu interior, teve uma visão abissal...
O poço
Após ter acordado rapidamente naquela manhã nublada de domingo foi direto andar pelas várias estradinhas do Reino. Não que fosse um lugar novo para aquele soldado...velho soldado abatido, apático depois de tantas e tantas guerras vencidas. Ou não? Aquele Reinado mais parecia um labirinto. Era composto de árvores, pequenas casinhas e uma infinidade de pessoas correndo para todos os lados. Tempos difíceis...todos tinham que trabalhar.
O soldado pensava no bicho. Naquele pobre bicho que dormira em seu quarto na noite passada. Resolveu parar um pouco. Sentou-se debaixo de uma árvore e os olhos começaram a ficar semi-cerrados. Não entendera direito por que estava com tanto sono. Realidade e devaneio misturavam-se agora. A imagem das moças em seu culto misterioso, o fato de saber da existência de uma rainha que nunca vira em toda a sua vida. Rapidamente sim, mas não com a mesma profundidade que vira a jovem de preto. Era demais. Era encantamento, era medo, era um poço fundo de mistério.
Resolveu prosseguir com a caminhada, um pouco sem saber o que estava procurando exatamente. Sim, estão todos perdidos ainda nessa história que nasce num passe mágico de plim. Inclusive, o soldado. Eis que o homem anda mais alguns metros e encontra um poço tão fundo que parece não ter fim.
Ele olha para baixo...estranha os ruídos que emanam daquele buraco negro e fétido. Escuta passos, sim deveriam ser passos, se não fossem passos o que mais seria? Mas os pés não pisavam a grama. Eram como grandes chutes na água. Percebeu naquele exato momento que havia alguém DENTRO daquele poço.
Como quem quer fugir da realidade, ele esfrega os olhos. Pisca. Pisca novamente. Mão no olho com mais força, quer acordar, acordar logo. Não é sonho. Ele escuta e pode até sentir que alguém pisa fundo no fundo do poço.
Tem certeza que ali, esconde-se ou simplesmente caiu alguém. Precisa pedir ajuda e rápido. E nessas horas só tem uma pessoa em todo o reino que poderia o ajudar. O mago Sidelar...
O soldado pensava no bicho. Naquele pobre bicho que dormira em seu quarto na noite passada. Resolveu parar um pouco. Sentou-se debaixo de uma árvore e os olhos começaram a ficar semi-cerrados. Não entendera direito por que estava com tanto sono. Realidade e devaneio misturavam-se agora. A imagem das moças em seu culto misterioso, o fato de saber da existência de uma rainha que nunca vira em toda a sua vida. Rapidamente sim, mas não com a mesma profundidade que vira a jovem de preto. Era demais. Era encantamento, era medo, era um poço fundo de mistério.
Resolveu prosseguir com a caminhada, um pouco sem saber o que estava procurando exatamente. Sim, estão todos perdidos ainda nessa história que nasce num passe mágico de plim. Inclusive, o soldado. Eis que o homem anda mais alguns metros e encontra um poço tão fundo que parece não ter fim.
Ele olha para baixo...estranha os ruídos que emanam daquele buraco negro e fétido. Escuta passos, sim deveriam ser passos, se não fossem passos o que mais seria? Mas os pés não pisavam a grama. Eram como grandes chutes na água. Percebeu naquele exato momento que havia alguém DENTRO daquele poço.
Como quem quer fugir da realidade, ele esfrega os olhos. Pisca. Pisca novamente. Mão no olho com mais força, quer acordar, acordar logo. Não é sonho. Ele escuta e pode até sentir que alguém pisa fundo no fundo do poço.
Tem certeza que ali, esconde-se ou simplesmente caiu alguém. Precisa pedir ajuda e rápido. E nessas horas só tem uma pessoa em todo o reino que poderia o ajudar. O mago Sidelar...
sexta-feira, 4 de julho de 2008
A Espada
De nada adiantava ao soldado voltar ao castelo sem sua espada, esperou alguns instantes e voltou para o bosque, segurando a sua cruz com força, tentou fazer o mesmo caminho que percorreu durante o susto, andou... andou... e há poucos metros avistou uma luz no chão, foi chegando cada vez mais perto e avistou sua espada, pegou-a e voltou ao castelo. Deparou-se novamente com a figura da Rainha na janela de seu quarto de cristal, contemplou-a por mais um momento e dirigiu-se para dentro do castelo.
Ao chegar em seu aposento sente que há algo de errado, mas não pensa muito nisto e foi deitar em sua cama. Ao fechar os olhos sentiu que algo lhe espiava, entreabriu o olho direito e enxergou dois olhos estalados e olhando fixamente para ele, mas quando abriu os olhos não os viu mais. Levantou-se rapidamente e arrancou o biombo que ficava no canto do quarto, não havia nada, olhou atrás da cortina, e não encontrou nada, resolveu então perguntar quem estava lá, novamente nenhum sinal. Voltou para a cama e ao deitar sentiu algo estranho mexendo embaixo do lençol, levantou e viu os olhos que o espiavam, tratava-se de um animalzinho muito comum naquelas voltas do reino, e sempre procurava abrigo dentro do castelo, mas o soldado sempre o colocava para fora, ele era peludo com dois olhos bem grandes, um focinho redondo e orelhinhas em pé, tinha cinco patas, um tamanho de dois palmos e não causava mal nenhum a ninguém, apenas alimentava-se das folhas e flores das plantas da floresta. Aquela noite o soldado deixou o coitado dormir em seu quarto, mas pegou uma almofada e colocou para o bichinho dormir ao lado de sua cama.
No dia seguinte acordou as seis badaladas do contador de horas do reino. Olhou para seu hóspede e ficou com pena de colocá-lo aquela hora para fora do castelo, aprontou-se, pegou sua espada e foi para a guarda tomar o café da manhã com seus companheiros. Sentou-se com eles, mas estava quieto, não olhava para ninguém, estava com o pensamento longe e nem tomou seu café. Rondou o castelo para ver se estava tudo dentro dos seus parâmetros normais, olhou para o quarto de cristal e não viu seu pensamento, retornou ao seu aposento e encontrou o animalzinho dormindo em sua cama, com a cabeça em seu travesseiro, exclamou:
- Acorda animal! Acorda animal! Não ficarás aqui nem uma badalada mais!
O animal assustado olhou firme para o soldado, como se entendesse o que ele estava dizendo e pulou da cama. Correu para trás do biombo e sumiu novamente, o soldado procurou e não achou nenhum rastro do animal.
Ao chegar em seu aposento sente que há algo de errado, mas não pensa muito nisto e foi deitar em sua cama. Ao fechar os olhos sentiu que algo lhe espiava, entreabriu o olho direito e enxergou dois olhos estalados e olhando fixamente para ele, mas quando abriu os olhos não os viu mais. Levantou-se rapidamente e arrancou o biombo que ficava no canto do quarto, não havia nada, olhou atrás da cortina, e não encontrou nada, resolveu então perguntar quem estava lá, novamente nenhum sinal. Voltou para a cama e ao deitar sentiu algo estranho mexendo embaixo do lençol, levantou e viu os olhos que o espiavam, tratava-se de um animalzinho muito comum naquelas voltas do reino, e sempre procurava abrigo dentro do castelo, mas o soldado sempre o colocava para fora, ele era peludo com dois olhos bem grandes, um focinho redondo e orelhinhas em pé, tinha cinco patas, um tamanho de dois palmos e não causava mal nenhum a ninguém, apenas alimentava-se das folhas e flores das plantas da floresta. Aquela noite o soldado deixou o coitado dormir em seu quarto, mas pegou uma almofada e colocou para o bichinho dormir ao lado de sua cama.
No dia seguinte acordou as seis badaladas do contador de horas do reino. Olhou para seu hóspede e ficou com pena de colocá-lo aquela hora para fora do castelo, aprontou-se, pegou sua espada e foi para a guarda tomar o café da manhã com seus companheiros. Sentou-se com eles, mas estava quieto, não olhava para ninguém, estava com o pensamento longe e nem tomou seu café. Rondou o castelo para ver se estava tudo dentro dos seus parâmetros normais, olhou para o quarto de cristal e não viu seu pensamento, retornou ao seu aposento e encontrou o animalzinho dormindo em sua cama, com a cabeça em seu travesseiro, exclamou:
- Acorda animal! Acorda animal! Não ficarás aqui nem uma badalada mais!
O animal assustado olhou firme para o soldado, como se entendesse o que ele estava dizendo e pulou da cama. Correu para trás do biombo e sumiu novamente, o soldado procurou e não achou nenhum rastro do animal.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
O mago

... E o mago Sidelar - demiurgo de si mesmo - que a tudo observa de sua bola de cristal (arquiteto do castelo e seu primeiro ocupante), que a tudo conhece e reconhece, sejam os caminhos e passagens secretas entre o céu e a terra, vive em seu reduto secreto, jogando seus dados em seu tabuleiro mágico. Ali, as pessoas parecem personagens e as personagens tornam-se pessoas. Só o mago sabe distinguir uns dos outros, pois conhece e reconhece todas as entrelinhas do tempo e do espaço.
No buraco da minhoca , Sidelar atravessa os confins do mundo e do tempo. Aquele mundo para ele é um jardim secreto, em que o castelo de Messiter é a jóia rara da coroa, uma pérola dentro de uma concha misteriosa. E ali dentro do castelo há que se buscar pela verdadeira rosa. A rosa tatuada em uma de suas prisioneiras. Entre a torre e a masmorra, a rosa jaz prostrada. E o "claro enigma" é feito de prosa & verso. Caberá ao cavaleiro da espada em cruz ou ao poeta quase profeta decifrá-lo antes que seja tarde demais... A ampulheta dos dias foi virada mais uma vez, e os dados foram jogados no tabuleiro em forma de mini mundo...
Sidelar faz a pena em sua mão voar ao escrever as palavras ditadas pelo vento constante em torno do castelo. Um vento que sussura uma canção em forma de oração, de um menestrel chamado Ritov Milar, que vez em quando assombra o castelo de Messiter com sua flauta encantada, sem que os soldados - com ordem expressa do rei para sua prisão - saibam de onde vem e para onde vai... E a canção ecoa:
Se um dia qualquer
Tudo pulsar num imenso vazio
Coisas saindo do nada
Indo pro nada
Se mais nada existir
Mesmo o que sempre chamamos real
E isso pra ti for tão claro
Que nem percebas
Se um dia qualquer
Ter lucidez for o mesmo que andar
E não notares que andas
O tempo inteiro
É sinal que valeu!
A rainha Tristeza, presa em seu quarto de cristal tem a impressão de que a música encantada, que quase lhe faz levitar e sentir de novo pulsar o frágil coração, sempre vem do bosque sem fim, como que brotasse do meio das árvores. Como se o espírito de um deus estivesse a lhe acompanhar os passos em círculos dentro daquele quarto crespuscular...
Observação: Imagem acima, feita especialmente para o RPG, por Jouber D. Cunha .
terça-feira, 24 de junho de 2008
A jovem de preto

Talvez aquela fosse a noite mais fria do ano. O arfar de sua respiração fazia com que o ar pudesse ser visto. O sangue, fervia nas veias. Ela sabia que precisava fugir, só não sabia exatamente para onde. Já não queria mais fazer parte daquele mundo, não queria mais dançar aquela dança e muito menos rezar aquela prece. Precisava fugir.
Porém, não era tão fácil assim sair dos domínios daquele reino. Era um reino que obrigava-a ficar por ali não com uma autoridade materializada, talvez um sentimento de que aquele reino era seu lugar, apenas isso. Estava confusa demais para ficar. Resolveu tentar achar uma rota de fuga. E tinha que ser já.
Correndo vagarosamente em silêncio gritante, foi-se a moça de preto, cuidando cada passo para que não fosse vista.
Quando estava quase chegando à ponte elevadiça, repentinamente, a porta abriu-se. Ela não identificara quem estava ali absorto a olhá-la. Assustado, suando frio e parecia deveras encantado. Ela simplesmente o olhou nos olhos e seguiu seu caminho.
Os passos dele cobriam os seus passos, ela sentia mesmo não conseguindo escutar tais passos. E como se já soubesse o que iria encontrar no fim da linha, deixou com que ele viesse, tão sem rumo quanto ela, para viver em liberdade na mais divina das prisões...
Observação: Imagem acima, criada com exclusividade para o RPG por Jouber D. Cunha
domingo, 22 de junho de 2008
O soldado

Seguiu tenso pelo caminho da sombra que vira, entre as árvores e animais da noite, levou inúmeros sustos, ao longe começou a escutar alguns grunhidos, que logo foram ficando mais nítidos, era alguma espécie de canto e junto as batidas esparsas de um tambor, ele sentia que estava chegando próximo ao local em que o vulto estava. Em poucos metros do local pôde avistar a luz de uma fogueira, de repente um grito, a cantiga cessa, um uivo ao longe, e em seguida gargalhadas sem fim, ele estava atrás de uma moita, mas não resistiu e aproximou-se, ficou ali, atrás de uma árvore com um tronco voraz, espiava aquela cena e não acreditava no que estava acontecendo, era uma espécie de ritual, várias tochas formavam um círculo, uma fogueira no centro e vultos de preto a volta formavam uma cena sinistra, de pés descalços logo percebeu que eram mulheres que estavam naquele lugar.
Acima da fogueira havia um caldeirão de ferro muito grande, e seus olhos voltavam para ele, a curiosidade de saber o que havia de tão quente dentro daquele caldeirão estava terminando com sua paciência, mas conteve-se por um momento para espiar o que as moças faziam aquela hora da noite. Começaram a cantar de novo e o tambor começou em um ritmo mais acelerado, elas apontavam para o céu e em roda louvavam as duas luas, a canção termina e uma delas grita fortemente, começava uma oração em língua estranha que o soldado ficara espantado com o tom de voz que saia daquela boca no meio da noite, parecia alguma coisa que vinha de outro lugar...
Ao terminar a reza a moça pega uma tocha e vai em direção ao soldado, espantado, ele agacha com rapidez, começa a suar frio, mas a tocha é colocada na árvore que ele estava escondido, e ela volta ao círculo e começa a mexer no caldeirão. Ele levanta e sem tirar os olhos observa, bacias de barro estavam sendo distribuídas entre as jovens, em fila organizaram-se para serem servidas por sua líder, enchia as bacias e elas voltavam a roda, sentadas com a bacia em frente. Começaram a tomar aquele líquido quente e o soldado ali, curioso. Como a tocha estava bem a sua frente não podia ser visto, mas com a luz que ela aclamava muitos insetos começaram a incomodar o pobre soldado, ele não se conteve com o ferrão de um inseto esquisito que rondava o vento daquele castelo e soltou um barulho de profunda dor, logo todas as moças olharam para o local de onde vinha aquele barulho, levantaram-se depressa, algumas pegaram as tochas, outras lanças, e todas juntas caminhavam em sua direção, olhando espantado o que estava acontecendo sem dúvidas pôs-se a correr em meio ao mato. Os vultos se espalhavam mato a dentro e apenas enxergava o clarão das tochas, ele corria desesperado rumo ao castelo, ofegante e com muito medo, havia perdido a sua espada no meio do percurso, mas segurava com furor sua cruz. Chegava ao final do bosque, e no meio do campo, perto do castelo, depara-se com a figura da Rainha na janela da torre em seu quarto de cristal, contempla por alguns segundos aquele momento, olhou para trás, já não haviam mais sinais dos vultos...
Observação: Imagem acima, criada especialmente para o RPG, por Jouber D. Cunha.
sábado, 21 de junho de 2008
Luzes e sombras
Era um tempo nebuloso, vivido entre a magia e a superstição. Os ventos uivantes competiam com os lobos, que reunidos em círculos, pareciam chamar pelos nomes daqueles que estavam marcados pelo destino.
No céu duas luas, em formação de móbile, apareciam e se escondiam entre nuvens espessas, enquanto dois escudos de fogo sobrevoavam o castelo sem emitir som. O jovem guarda, próximo às torres do castelo viu aquela aparição com profundo espanto. Fez o sinal da cruz e pegou sua espada brilhante. Os escudos caíram próximo ao bosque, onde enormes e misteriosos vultos apareciam entre as árvores. Pensou ouvir cantos profanos e gritos sobrenaturais. Uma revoada de pássaros cortou o silêncio da noite. O soldado segurou com a mão esquerda firmemente a cruz sobre o peito (e com ela o seu segredo) e com a mão direita empunhou a espada circulando, do alto, pelas muralhas do castelo, tentando observar melhor o bosque infernal.
No salão oval, o bispo jogava xadrez com o rei insone. No estábulo, os cavalos aparentavam impaciência. E a rainha vivia aprisionada em seu quarto de cristal.
O soldado, com sua cruz em forma de chave, desceu as escadarias da muralha, indo até um portão secreto, próximo à ponte elevadiça. Ao abrir a porta, assustou-se com duas sombras que passaram por ele apressadas. A primeira a própria, e a segunda de uma jovem vestida de preto, que entre as sombras e luzes do bosque desapareceu assim como surgiu... Olhou para trás e viu o imponente castelo e na muralha, em seu lugar, outro guarda procurando pelo desertor... Sua ação de deixar o posto não tinha mais volta. Então, virou-se em direção ao bosque, pisando sobre as pegadas da mulher que o encantou... A noite estava fria, mas o tremor que sentia era por outro motivo, que naquele momento ainda não podia precisar...
No céu duas luas, em formação de móbile, apareciam e se escondiam entre nuvens espessas, enquanto dois escudos de fogo sobrevoavam o castelo sem emitir som. O jovem guarda, próximo às torres do castelo viu aquela aparição com profundo espanto. Fez o sinal da cruz e pegou sua espada brilhante. Os escudos caíram próximo ao bosque, onde enormes e misteriosos vultos apareciam entre as árvores. Pensou ouvir cantos profanos e gritos sobrenaturais. Uma revoada de pássaros cortou o silêncio da noite. O soldado segurou com a mão esquerda firmemente a cruz sobre o peito (e com ela o seu segredo) e com a mão direita empunhou a espada circulando, do alto, pelas muralhas do castelo, tentando observar melhor o bosque infernal.
No salão oval, o bispo jogava xadrez com o rei insone. No estábulo, os cavalos aparentavam impaciência. E a rainha vivia aprisionada em seu quarto de cristal.
O soldado, com sua cruz em forma de chave, desceu as escadarias da muralha, indo até um portão secreto, próximo à ponte elevadiça. Ao abrir a porta, assustou-se com duas sombras que passaram por ele apressadas. A primeira a própria, e a segunda de uma jovem vestida de preto, que entre as sombras e luzes do bosque desapareceu assim como surgiu... Olhou para trás e viu o imponente castelo e na muralha, em seu lugar, outro guarda procurando pelo desertor... Sua ação de deixar o posto não tinha mais volta. Então, virou-se em direção ao bosque, pisando sobre as pegadas da mulher que o encantou... A noite estava fria, mas o tremor que sentia era por outro motivo, que naquele momento ainda não podia precisar...
Reino de estranhos
Precedeu às colheitas uma noite alta e sem estrelas, e havia o vento fino preenchendo os espaços entre as árvores antigas e os muros que cercavam o castelo, como braços gordos envolvendo um recém-nascido. O Reino de um vermelho aceso se estendia até a linha atrás de onde o sol se guarda, carta em envelope, semente na terra, e lembrar da terra era intuir tensões naquelas bandas.
Os dias há algumas estações cobriam-se de cinza e as noites eram profundamente negras nas redondezas. Às escondidas, refinava-se uma feitiçaria no interior da gruta escavada em segredo por mãos femininas.
Badaladas secas do sino da catedral rasgaram o escuro e instantes depois as correntes que suspendiam o portão o fizeram descer e acomodar a ponte por onde cavalos saíram apressados. Distante dali, mulheres dançavam descalças ao redor de uma fogueira tímida encoberta pelas árvores oportunamente cravadas justo à entrada daquele templo improvisado.
Uma coruja enrolou-se em si mesma e em alguma parte o lobo cinza uivou. No mesmo instante, calafrios percorreram as espinhas das jovens pagãs e dos cristãos conduzidos pelos cavalos do castelo.
Os dias há algumas estações cobriam-se de cinza e as noites eram profundamente negras nas redondezas. Às escondidas, refinava-se uma feitiçaria no interior da gruta escavada em segredo por mãos femininas.
Badaladas secas do sino da catedral rasgaram o escuro e instantes depois as correntes que suspendiam o portão o fizeram descer e acomodar a ponte por onde cavalos saíram apressados. Distante dali, mulheres dançavam descalças ao redor de uma fogueira tímida encoberta pelas árvores oportunamente cravadas justo à entrada daquele templo improvisado.
Uma coruja enrolou-se em si mesma e em alguma parte o lobo cinza uivou. No mesmo instante, calafrios percorreram as espinhas das jovens pagãs e dos cristãos conduzidos pelos cavalos do castelo.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Bem-vindo ao RPG

Caros visitantes, o RPG - Role Poetic Games ou Jogos Poéticos Virtuais, foi uma idéia surgida em conversas com dois jovens poetas e amigos Suellen e Leandro, que coincidentemente, apenas os conheço, até a presente ata, pela internet (o Lê, encontrei rápida e casualmente um dia na entrada de um banco...), apesar de morarmos na mesma cidade, Rio Grande, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Mesmo assim, apesar dos contatos a distância, temos uma fraterna amizade. E a literatura e a informática nos une. Sugeri a eles, em 2007, a criação de um blog com esse nome, para que os três pudessem compartilhar escritos e idéias. Antecipei a construção do blog para preservar e garantir o uso do endereço do mesmo. Sou mestrando em Letras; Suellen, acadêmica do curso de Letras e Leandro, do curso de Administração, todos na FURG - Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Então, aguardem, para que a partir de 2008 passamos interagir no ciberespaço, postando textos de ficção e não-ficção neste espaço virtual. Até mais...
Observação 1: Imagem acima, intitulada 21st century digital boys de Alex Cherry, extraída do portal www.deviantART.com.
Observação 2: Em junho/2008, vieram se juntar ao RPG mais duas amigas virtuais, Ana Matias (acadêmica de Letras - FURG) e Andréia Alves Pires (mestranda em Letras - FURG), e ai o jogo literário virtual de fato começou...
Observação 3: Em 14/7/08, Jouber D. Cunha passou a produzir o primeiro desenho (A rainha) para o RPG.
Observação 4: Você sabe o que é um RPG? Clique então aqui: RPG.
Observação 5: Visitem também o blog Literatura em Teia, montado para discutir o processo de criação literária do RPG, divulgar este e outros projetos, e comentar sobre literatura e artes em geral.
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