sábado, 23 de agosto de 2008

O pequeno ladrão de frutas e sua bola de cristal


Lá estava ele, e a menina a espreita chamava o menino rapidamente, ao entrar pela passagem o menino sentiu um enorme frio na barriga, sentia que aquela noite seria decisiva e só restava libertar a moça linda e de branco que estava presa na bola de cristal, não havia nenhum sinal de pessoas por aquelas partes do Castelo, e ele sentiu-se seguro quando abriu a porta do aposento, a bola quietinha em um canto, e a moça dormia, ele pegou a bola e a colocou dentro de um saco, como se estivesse roubando alguma coisa, olhou para os lados, observou bem aquele lugar e pensou que jamais voltaria a pisar dentro do Castelo e não veria coisa mais bela que aquele quarto. Ao sair do Castelo sua amiga o desejou boa sorte e ele foi embora feliz e com medo.

No caminho do bosque a noite estava tranqüila, as folhas das árvores pareciam cantar com o vento que soprava, no meio do caminho escutou um bocejo vindo de dentro da bola, sorriu e mesmo sabendo que a linda moça acordara continuou andando. Após alguns momentos escutou ela resmungar:

- Onde será que estou? Será que me acharam? Ó meus céus e meu mar, está tudo escuro e balançando! O que será de mim?

Ele parou, e abriu o saco com um sorriso enorme nos dentes tranqüilizando a moça e dizendo que ela estava a salvo, que não demoraria muito para que chegassem em sua casa, mas ela deveria ficar quieta e calma, pois sua família não poderia vê-la e nem desconfiar de algo errado com ele, porque ele já havia aprontado demais, e mais uma vez, sua mãe ficaria muito chateada.

Chegando perto de sua casa, o menino recolheu a bola para dentro do saco, e ao entrar em casa percebeu que algo não estava muito bem. Estavam todos reunidos na cozinha e cochichavam de modo que quase nada se escutava na entrada, seu pai, sua mãe, sua irmã mais velha e um rapaz, o qual era vizinho deles, todos sentados em volta da mesa, o menino passou depressa para o seu quarto, largou o saco embaixo de sua cama e pediu para a jovem esperar. Ao entrar na cozinha a conversa cessou, e ele perguntou o que ocorrera, sua mãe o pegou pela mão e o colocou em seu colo, explicou que o vizinho havia pedido sua irmã em casamento e que em breve suas vidas seriam melhores. O menino ficou um tanto surpreso com a notícia e felicitou sua irmã pelo pedido e desejou boa sorte aos noivos, seu pai estava com uma cara não muito feliz, e era notável sua má vontade em aceitar o pedido da mão da filha em casamento, sua mãe estava super empolgada e nos olhos da irmã, lágrimas de felicidade escorriam sem parar.

Sua mãe o mandara para o quarto, já era tarde e no dia seguinte começariam os preparos para o casamento de sua irmã, o menino foi mais que rápido, trancou a porta e pegou o saco com a bola de cristal, contou para a moça de branco que sua irmã se casaria em breve e que a felicidade tomara conta da casa, a moça pareceu sorridente e logo o questionou:

- Quando vou sair daqui? De dentro desta bola de cristal?

Ele não soube o que dizer, há alguns dias atrás vendera o pó mágico que pegou da sala do Mago, só havia um pouco que tinha guardado dentro de uma caneta que estava escondida.

Ela se lamenta:

- Estou há muitos anos aqui dentro, o cheiro de mar que sinto está me revoltando, aqui eu não como, não tenho vontade de me alimentar, apenas penso, canto e espero o dia em que virá alguém me libertar.

Ele explicou que já era tarde e tinha que dormir, pediu para que ficasse calma, pois era muito difícil para ele, queria libertá-la, mas ainda não sabia como. Desejou-lhe boa noite e foi dormir.
Observação: Imagem acima, ilustração de Jouber D. Cunha, feira especialmente para o RPG.

5 comentários:

Jow D. Cunha disse...

Ficou muito bom Ana!!!
Olha sério mesmo vocês são umas maquinas!!!
aehahehaheahehae
Tenho que começar a acelerar meu ritmo!!
:)

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Ana. Muito bom teu post. Parabéns, mantém o clima rpgiano.
Ah, turma, coloquei uma licença Creative Commons, que protege a autoria, permite o uso da nossa produção, desde que referenciado, sem uso comercial ou alteração do texto. É uma proteção contra o uso indevido e uma forma de estimular a referência na internet. Uma campanha que estou envolvido com outros blogueiros educacionais. Um abraço, Zé.

Ana Matias disse...

Valeu amigos!!
Agora como desenho do Jow ficou 10!!

Adorei!

Beijos!

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Ana. Ficou muito bom mesmo. Mais uma imagem de personagem para a galeria. Hehehehe
Coloquei uma imagem da turma RPG lá embaixo, em forma de teia literária, para que nossos visitantes/leitores possam conhecer cada um. É um desenho provisório, posso trocar as fotos. Basta me enviarem a que desejarem. Um abração a todos!! Zé.

Jow D. Cunha disse...

Pô que piazinho que ficou legal...
Simpático ele não acharam?